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Lançamento: ‘Cecília’ – do premiado autor espanhol Antonio Gamoneda, ganha edição bilingue pela Valer

Antônio Gamoneda, de 92 anos, vencedor de diversos prêmios literários, dentre eles o Carvantes e Nacional de Literatura, é uma das principais referências da poesia contemporânea em língua espanhola. Nesta quinta-feira, dia 22 de fevereiro de 2024, Cecília, ganha pela primeira vez no Brasil, uma edição bilíngue (português e espanhol) pela Editora Valer.

A tradução ficou por conta do professor doutor Saturnino Valladares, professor na Universidade do Amazonas – Ufam, espanhol radicado em Manaus, que recentemente encontrou o poeta em viagem à Espanha. O evento será realizado na Biblioteca do ICBEU, localizada na avenida Joaquim Nabuco, 1286 – Centro de Manaus, a partir das 18h.

O livro foi escrito como consequência do nascimento da neta do poeta, Cecília. O poemário mais vitalista e luminoso do autor é a segunda obra de Antonio Gamoneda publicada no Brasil. O primeiro foi ‘Livro do frio’, também publicada pela Valer, em 2020, e com tradução do professor Saturnino.

“Desejo apresentar ao leitor brasileiro uma obra do mesmo autor, mas com um tema radicalmente diferente”, explicou o tradutor.

Para entender a importância, a significação e a originalidade de Cecília – poemário composto por trinta poemas e publicado originalmente em 2004 – no conjunto de Esta luz: Poesia reunida,’ além dos contextos históricos, sociais e culturais, o autor ressalta na apresentação do livro que é necessário recordar algumas circunstâncias biográficas e poéticas de Antonio Gamoneda.

Com esta intenção, ele pretende sintetizar algumas ideias que já manifestou em outros momentos e abordar certas características recorrentes que figuram em seus primeiros versos e em seus livros mais significativos, como ‘Blues castelhano’, ‘Descrição da mentira’ ou ‘Livro do frio’.

De acordo com a coordenadora editorial da Valer, professora doutora em Filosofia Neiza Teixeira, trata-se de um desatino poético, pois na obra de Gamoneda, depois desse clarão de vida, há retorno aos temas diretores e constantes na sua poética, dentre os quais ocupa lugar de destaque a morte, que o marcou fortemente a infância.

Gamoneda, numa entrevista concedida a Jordy Ardany (Lateral: Revista de Cultura, n. 122, 2005, p. 26), afirma: “Cecília trata do encontro de um ser que vem da inexistência à existência com outro que está partindo da existência e tem a inexistência próxima. Encontrei nesse livro uma espécie de provisória reconciliação com a vida”.

Segundo Neiza, o poeta desconcerta a si e a nós quando abre, como um córrego, com suas águas límpidas e corredeiras, a sua trajetória poética e a si mesmo, para falar de vida, de amor e de juventude, que se apartam, como ele afirma, da inexistência para poetar a existência.

“Nesse sentido, este livro se abre como um canal de estudos sobre o poeta e o poetar, sobre os caminhos que a vida pode conduzir o poeta e sobre a receptividade que a Palavra Falada a ele garante”, disse Neiza.

Este livro também marca pela forma: pequenos textos, como se quisessem se dar à prosa, mas escorregando para os versos, para a liberdade de procurar sentidos profundos, quase inefáveis, na palavra e somente nela.

Para quem quiser adquirir a obra, basta acessar o site da valer editoravaler.com.br ou solicitar pelo whatsapp 92 99613-1113.

Antônio Gamoneda

Antonio Gamoneda (Oviedo, 1931) é um poeta singular na poesia espanhola dos últimos 70 anos. Durante a Guerra Civil (1936-1939), aprendeu a ler no único livro que havia em sua casa, ‘Outra mais alta vida’, um poemário que seu pai tinha publicado em 1919. A inicial leitura deste texto, escrito por um morto tão próximo, talvez ajude a entender a sua definição de poesia: “é o relato de como se avança para a morte, mas, simultaneamente, é também a arte de implicar prazer neste relato” (GAMONEDA, 2004, p. 15). Por trás desta afirmação, há outra mais radical: a poesia não é literatura. Na opinião do autor, a literatura é baseada na ficção, enquanto a poesia conta a nossa própria vida. No entanto, é no processo de criação que Gamoneda descobre seu pensamento poético: “Eu não conheço meu pensamento enquanto não me dizem minhas próprias palavras” (GAMONEDA, 2004, p. 13).

Cronologicamente, ele pertence ao grupo poético dos anos 50, embora, literariamente, ele negue esse vínculo e até mesmo a existência dessa suposta geração. Os poetas deste grupo eram burgueses e universitários, enquanto Gamoneda procede da cultura da pobreza, e sua formação cultural e literária foi autodidata. O próprio autor referiu-se à diferente atitude política que estas circunstâncias comportavam.

Saturnino Valladares

Professor da Universidade Federal do Amazonas – Ufam. Poeta e tradutor. Doutor em Humanidades e Serviços Culturais (Área: Literatura) pela Universidade de Santiago de Compostela (Espanha). Mestre em Ensino de Espanhol, área de concentração: Língua e Literatura Espanhola, pela Universidade de Santiago de Compostela. Graduado em Letras, com Licenciatura Plena em Espanhol, pela Universidade de Santiago de Compostela. Seu trabalho de pesquisa se concentra no estudo da poesia espanhola contemporânea, com ênfase na obra de José Angel Valente, assim como na tradução e no ensino da poesia.

Edição: Bruna Lira

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